sábado, 28 de agosto de 2010

Crítica - Alucinadas


Escrita por Bruno Mazzeo, Elisa Palatinik, Fábio Porchat, Maurício Rizzo, Rosana Ferrão e Luciana Fregolente, o espetáculo leva ao extremo não apenas situações muito engraçadas, mas uma total consonância de eventuais desvarios típicos do universo feminino.
Dentre os quadros que a peça apresenta, destacam-se o o Grupo de auto-ajuda de extressadas anônimas; uma vendedora de cartão de crédito que leva sua cliente a loucura; e uma perua que agenda seu próprio sequestro.
Vitor Garcia Peralta assina a direção que tem no elencoRenata Castro Barbosa e Luciana Fregolente.
Como toda montagem estruturada em torno de esquestes, nada mais natural que alguns sejam superiores a outros. Mas de uma maneira geral todos atingem os objetivos propostos.
Vítor impõe a cena uma dinâmica em total sintonia com o material dramatúrgico.
O elenco interpreta muito bem todos os personagens desenvolvidos em cena.
A trilha sonora de Leone e Pedro Mamede é muito adequada, a luz de Djalma Amaral é bem composta, os figurinos de Domingos Alcântara e Luciana Cardoso são eficazes e a cenografia de Adriana Milhomem funcional.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Crítica - Devassa

Mais um grande espetáculo da Cia. dos Atores. Devassa investe na desconstrução de um texto original - Lulu, de Franz Wedenkind - para uma reconstrução que vai além dos limites do palco. Aliás quando o espetáculo começa os atores já estão em cena.
A mão da diretora é vista em cena durante todo o tempo, inclusive em conjunto com os atores que se encarregaram de entrar profundamente no universo do texto original antes de dissecá-lo.
No espetáculo uma Lulu que foje durante todo o tempo e quando parece que está sendo dominada dá uma reviravolta e escapa novamente, das mãos de quem a tenta controlar.
Manequins com braços e partes do corpo cortados, parte fundamental no cenário de Aurora dos Campos evidencia o objetivo do que os outros personagens querem fazer com Lulu, uma tentativa sempre frustrada pela escapada da mesma. A Luz de Maneco Quinderé que sugere o efeito de neóns, pelo fliperama e pelo piso é sempre mais intensa na personagem Lulu, realçando a luz forte e reluzente contida no interior da personagem e os figurinos de Marcelo Olinto, que trabalha em tons escuros para os demais personagens e muito coloridos para o figurino de Lulu.
Mas o espetacular em devassa reside no trabalho dos atores. Uma sintonia perfeita, onde Marcelo Olinto chama a atenção pelas transições principalmente no momento do riso descontrolado. César Augusto trabalha uma voz forte e cortante. Marina Vianna tem presença marcante. Pedro Brício muito vigor cênico. Alexandre Akerman tangencia pelo humor refinado. Sem falar na maravilhosa Bel Garcia, sensacional no descontrole e obsessão de sua personagem por Lulu.

Crítica - Monólogos da Marijuana


Uma repetição de uma fórmula, que começou com os Monólogos da Vagina. Apoiando-se em temas polêmicos, Monólogos da Marijuana, tratam com certo humor, uma série de depoimentos sobre o ato de fumar maconha.
A estrutura do espetáculo é composta por três atores no palco que divagam sobre os condicionantes, legais, medicinais e vivenciais do consumo da erva. Frases curtas são lançadas diretamente para a platéia pelo trio de atores, sempre com um tom provocativo, tentando quebrar preconceitos.
Com o auxílio da comédia circulam pelo ambiente e comportamentos associados à droga, falando sobre seu uso e consequências.
Não existe uma dramaturgia muito elaborada sobre esse tema único e a temática acaba por se esgotar em determinado momento, depois de algumas piadas e observações engraçadinhas, o que acaba fazendo com que o texto não se sustente como cena viva.
Devido a dificuldade de ser ampliado cenicamente o formato do monólogo, um filme com personagens que vivem algumas experiências com a erva é acrescentado ao espetáculo.
A direção de Emílio Gallo se concentra no histrionismo dos atores, que buscam movimentar as falas, passadas de um a outro num afinado jogo verbal. Marcos Winter está excessivamente irônico, Stella Brajterman fica muito na caricatura, e Felipe Cardoso está a vontade e parece se divertir muito em cena.
Em relação a parte técnica, luz, cenário e figurinos não são dignos de nota, por não acrescentarem nada cenicamente.

sábado, 3 de julho de 2010

Crítica - Genet - Os Anjos devem morrer


De acordo com a sinopse do espetáculo Genet - Os Anjos devem morrer, a peça tem um cabaret-teatro como cenário e o espetáculo conta a história de madame, Divina, Mignon, Mimosa III, Nossa Senhora das Flores e Genet. Tudo isso envolto em muito suspense sórdido, em que todos querem ser Madame. Madame não tem sexo, Madame não tem cor, Madame não tem idade. Todos são como anjos. E os anjos devem morrer. O enredo trás uma trama biográfica ficcional sobre o universo de Jean Genet, pela visão do diretor e dramaturgo Ribamar Ribeiro.
Genet caracterizou-se por abalar a consciência social e a fragilidade do sistema de valores da sociedade burguesa, através de seus romances e peças teatrais sempre utilizando como protagonistas delinquentes e marginais. Ribamar não se envereda por esta faceta de Genet, aborda tão somente a pederastia de alguns de seus personagens e nos remete a pensar e acreditar que Genet (pederasta convicto) descarrega em seus personagens apenas o reflexo de sua personalidade e opção sexual. O texto do espetáculo fica tão somente em cima desta questão que em muitos momentos se torna massante e cansativo, refletindo num desgaste imenso para o espectador. As facetas mais interessantes e apaixonantes dos personagens de Genet são deixadas de lado.
Em relação a direção, também de Ribamar Ribeiro, a concepção fica no meio do caminho, sem uma definição da metodologia a ser adotada. O que se vê é uma miscelânea de estilos, o que acaba transpondo para o palco, cenas em sua mioria sujas e mal acabadas, não se caracterizando com exatidão as quebras para distanciamento das personagens e retorno para as mesmas.
O elenco formado por Carla Meirelles, Getúlio Nascimento, Júlio Cesar Ferreira, Mauro Carvalho e Renato Neves, parece inseguro em cena, errando muitas marcas, ficando várias vezes fora de foco e com um trabalho de expressão corporal um tanto preso em cena. Além de gritar muito em cena. O que se ressalta de positivo é o belo trabalho nos momentos de canto de Getúlio Nascimento, que poderia ser muito melhor explorado pela direção.
Os figurinos de André Vital são adequados e de muito bom gosto, além de funcionais em cena. A cenografia de Cachalote Mattos e Riabamar Ribeiro são de difícil manipulação e pouco acrescentam para as cenas. A iluminação de Mauro Carvalho alterna momentos interessantes contribuindo muito para a sensibilidade cênica, e momentos confusos, principalmente nas que bras de cenas.
A sonoplastia de Ribamar Ribeiro é muito boa, conseguindo em determinados momentos sustentar as cenas, dando o ritmo e pulsação adequados.
Como pode ser visto, Genet - Os Anjos devem morrer é um espetáculo que requer um melhor equilíbrio em suas funções e que com certeza deve ser revisto pela Ciclomáticos Cia. de Teatro, que deixa claro que procurou pesquisar e realizar um bom trabalho, mas que necessita de ajustes urgentes.

sábado, 12 de junho de 2010

Crítica - A Carpa

Com Ivone Hoffmann e Carolyna Aguiar no elenco, a peça coloca em questão uma geração que rompeu a tradição e está em crise. As duas atrizes se revezam em quatro papéis, em duas épocas e países diferentes, Brasil e Rússia. Uma mãe que carrega ainda dentro de si as tradições de seu país e dos guetos e uma filha aculturada que se casou com um não judeu. A ação transcorre num único dia, a vespera da Páscoa Judaica. as duas se confrontam devido as visões diferentes uma da outra em relação ao mundo.
As autoras Denise Crispun e Melanie Dimantas dizem que a peça foi escrita a quatro mãos, cada uma trazendo suas histórias e de seus familiares, porém coladas parecem uma só história.
O espetáculo gira mesmo em torno do encontro afetivo de mãe e filha. As duas sempre se amaram, mas este amor foi afetado por suas diferentes posturas. O que fica para a platéia em relação a esta situação, é que não existe uma verdade absoluta e que o diálogo é sempre a melhor solução para todas as questões pendentes.
O diretor Ary Coslov impõe à cena uma dinâmica simples e eficiente, totalmente centrada nas relações entre as personagens, irretocavelmente interpretadas por Ivone Hoffmann (mãe) e Carolyna Aguiar (filha), que defendem suas colocações com uma verdade única.
A iluminação de Aurélio de Simoni, os figurinos de Kalma Murtinho, o cenário de Marcos Flaksman e a trilha sonora também assinada por Coslov, são excelentes e ornamentam de forma muito adequada o ambiente do espetáculo.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Crítica - Antígona


Antígona, de Sófocles é uma das tragédias mais lidas e montadas em todo o mundo. Lealdade, amor e política são alguns dos principais temas abordados neste clássico da literatura mundial.
Na montagem do Grupo Cortejo, que é formado por ex-alunos da UNIRIO, em cartaz na Casa da Glória, Edson Zille e Rafaela Wrigg responsáveis pela adaptação do texto, apostam na modernidade traçando um paralelo estético entre as culturas grega e africana. A veneração aos deuses e os sacrifícios feitos em nome deles, são encenados ao som de uma voz coral, que interpreta canções que têm como base os ritmos africanos, com músicos em cena que conduzem todo o espetáculo.
Edson Zille que também assina a direção, optou por um espaço alternativo e intimista, colocando a platéia como parte da trama, sendo testemunha privilegiada dos fatos. A encenação começa ao ar livre em tom de celebração e é onde tem seu momento mais interessante com ritual cênico bem pensado, belíssimo plasticamente e de proposital preparação para as cenas subsequentes no salão. A sequência do espetáculo na parte interna do espaço já não consegue o mesmo êxito. O que se vê são marcações obvias e previsíveis e trocas de roupas demasiadas em cena, para os atores sairem e entrarem nas personagens, tornando as cenas bastante cansativas. Zille peca também em não buscar uma unidade na forma da interpretação do texto pelo elenco. Alguns atores optam por falar o texto de forma coloquial, já outros falam de forma extremamente clássica e impostada, fazendo com que os personagens pareçam não viverem uma mesma época. O elenco deixa transparecer também, uma certa insegurança no texto, com vários erros no mesmo e problemas na dicção.
O cenário de Nello Marreze é funcional. Os figurinos de rafaela Wrigg são confusos e não se definem nem pelo clássico, nem pelo conteporâneo. O grande acerto na ficha técnica cabe a excelente direção musical de Carlos Rufino, Gustavo Pereira e Felipe Antello.
Mesmo com os problemas citados é louvável a entrega e esforço de todo o elenco se doando ao máximo na tentativa de realização do espetáculo da melhor maneira que podem no momento.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Crítica - Babel de Messalinas

O maior expoente do Teatro Épico, Bertold Brecht, com certeza ficaria feliz ao ver o espetáculo Babel de Messalinas, da Cia. Teatro da Estrutura, afinal o diretor Márcio Zatta utiliza as técnicas brechtinianas na peça com muita habilidade e segurança. O que se vê nas cenas - de excelente desenho cênico - de Babel de Messalinas é praticamente o emprego de tudo o que é abordado dentro do Teatro Épico: Distanciamento da personagem; o ator como crítico das cenas; estranhamento; exposição do urdimento mostrando os bastidores e a busca da reflexão da platéia sobre temas sociais de relevância para a sociedade.
O Texto, que também é escrito por Zatta, narra a história de cinco prostitutas, Jesebel (Helen Maltasch), Maria Madalena (Cíntia Travassos), Ana Calderon (Amélia Cristina), Divine Brown (Agatha Duarte) e Satine (Jeane Dantas), que discutem, através de uma visão muito interessante, sobre a luxúria, morte, violência contra a mulher, o incansável sonho do homem de se igualar aos pássaros e a banalização do amor. Estes temas são lançados para a platéia, hora de forma irônica, hora de forma cômica e hora de forma seca, dura e massacrante, conduzindo sempre o público à realidade.
O elenco, muito coeso, com uma preparação corporal impressionante, permanece no palco durante todo o tempo e consegue grande desempenho de suas personagens, utilizando variações de voz, diferenciando os momentos em que estão em cena como personagens, dos que estão em cena como atrizes.
A iluminação de Diego Sant'ana é bem desenhada, criteriosa e marca de forma eficaz a independência das cenas.
Márcio Zatta assina também uma trilha sonora que segue dentro dos padrões épicos e um figurino que evidencia bem os dois lados que todo ser humano possui: O das aparências e o real.
Babel de Messalinas é uma ótima opção para quem quer assistir um espetáculo inteligente e que faz pensar.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Crítica - Sade em Sodoma

Sade em Sodoma é uma daquelas montagens em que a intenção é muito boa, mas o resultado não corresponde ao intento. Adaptado de uma releitura de Flávio Braga de os 120 Dias de Sodoma, o texto ganhou montagem de Ivan Sugahara, que ao que parece buscou a atenção da platéia única e exclusivamente para o texto. Nada de cenas fortes, nada de orgia. O que se vê é uma comilança desenfreada regada de um texto as vezes cuspido pelos dois protagonistas Mathieu (Tárik Puggina) e Madame Duclos (Guta Stresser). A encenação é simples sem grande movimentação (a não ser alguns "passos" de Tango.) e tudo como citei anteriormente se concentra no texto. A direção utiliza a platéia como um Sade, que não entendo porquê, é obrigado a ouvir as próprias histórias de escatologia e orgias burguesas que escreveu. Os outros dois atores do elenco, que como o próprio programa friza, servem de apoio aos protagonistas, se entregam, se doam, se engalfinham e transferem cenários de um lado para o outro de forma previsível, na tentativa em vão de conseguirem levar seus papéis.
O que se destaca com louvor é a equipe técnica do espetáculo que conseguiram um acerto muito grande em suas funções: Nelo Marrese (Cenografia), Paulo César Medeiros (Iluminação) e Patrícia Muniz (Figurinos).
Os Constantes BOs, alguns muito demorados dão a tônica de uma montagem arcaica e decepcionante de uma temática que já foi e ainda pode ser muito bem explorada.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Crítica - As traças da paixão

O texto e Alcides Nogueira fala de uma mulher que vive num lugar indefinido, tocando um bar decadente, recebe uma visita de um homem, que tras consigo histórias que se misturam realidades com ficção. Este visitante se apresenta ora como arauto de fantasia aristocrática, ora como filho abandonado e ainda ora como amante arrebatado e portador de sonhos inalcançáveis.
Alcides impõe ao texto intenções dispersas e metaforização carregada, que transforma dubiedade em artificialidade.
O iretor Marco Antônio Braz não ousa, nem inova em nada e mantém a encenação seguindo o texto e presos a linearidade narrativa. A montagem não consegue se estabelecer em relação as alternativas da vivência e criação. Desta maneira não adquiri sentido e não consegue provocar as dúvidas que o texto exige. A cenografia de Juliana Fernandes é pobre, com mudanças involuntárias, o que quebra o fluxo narrativo. Lucélia Santos esta muito mandona, com excessos ao extremo, como dona do bar. Maurício Machado, embora cometa excessos em relação ao seu personagem, consegue justificar melhor no porque da existência do seu personagem.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Crítica - A Marca do Zorro

O espetáculo dirigido por Pedro Vasconcelos infelizmente não decola pela falta de foco. Centrado pricipalmente nas lutas de esgrimas (muito bem coreografadas) o que deveria ser ação é tomado apenas por superficialidades cênicas. O personagem central, vivido por Thierry Figueira, está completamente enfraquecido. Pedro busca tornar todas as cenas em gargalhadas. A preparação do espetáculo e sua dramaturgia ficam em segundo plano. A busca de imitações e filmes já passaos e repassados, transforma-se numa colcha de retalhos deixando o espetáculo sem nenhum sentido. As interpretações chegam próximas do exagero, muito comum em espetáculos infantis. A cenografia de Ronald Teixeira, só é interessante em relação a plataforma que invade a platéia, possibilitando uma visão melhor das lutas. Os figurinos também de Ronald e Flávio Graff são modestos. A luz de Luciano Xavier e leonardo diniz não acrescentam em nada de especial. Priscila Fantin não tem muito o que fazer, Thierry consegue deixar seu personagem menos ridículo do que se tentou deixar. Tadeu Melo insisti em caras e bocas e busca de um riso fácil. O restante do elenco se presta a lutar e dançar muito bem, aliás o que se destaca na peça é isso a dança flamenca e as lutas de esgrimas, que ficam a cargo de Gaspar Filho, Clara Kutner e Eliane Carvalho.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Crítica - Vestido de Noiva


Alaíde, uma jovem que é atropelada transita em três planos: Alucinação, memória e realidade - buscando a verdade. Enquanto tenta ser reanimada numa mesa de operação, Alaíde conhece uma mulher chamada Madame Clessi. Na confusão da mente de Alaíde, ela acredita ter matado o marido, Pedro. Depois ao descobrir ser isso uma alucinação, vê que Pedro e Lúcia sua irmã, vivem um caso extraconjugal. Os dois decidem matá-la e aí Alaíde vê que seu atropelamento foi premeditado. O texto de Nelson Rodrigues é considerado um marco no teatro moderno.
Nesta montagem, o próprio diretor Gabriel Vilella a define como um Baile Sinistro. De acordo com o diretor ele buscou uma montagem desencanada, sem se preocupar com outras célebres montagens do texto. O resultado é uma montagem que busca uma modernidade e uma releitura, que muitas vezes cai por incrível que pareça num arcáico teatro. A quantidade demasiada de se apagar o palco para troca de cenários e adereços contrasta com a busca da interpretação do texto e movimentação corporal contemporâneos de alguns personagens. A iluminação do espetáculo é confusa e muitas vezes complica a compreensão da sequência de cenas. A cenografia de J.C. Serroni é antiquada e muitas vezes sem utilidade. O sfigurinos do próprio diretor também confusos e sem uma linha de definição. Em relação ao elenco leandra leal se esforça para fazer uma Alaíde convincente, Marcelo Antoni e Vera Zimmermann ficam apenas na forma, Luciana Carnielli faz uma Madame Clessi com presença cênica e os demais do elenco cumprem bem seus papéis coadjuvantes. esta montagem de Vestido de Noiva, em termos de concepção cênica deixa a desejar no que diz respeito ao conceitual necessário à um trabalho rodrigueano.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Crítica - Náufragos

A dor e a comicidade de dois errantes perdidos no labirinto da própria mente. Náufragos, premiado texto do autor italiano Máximo Bavastro, estréia no Brasil dirigido por Alessandra Vanucci e uma produção ítalo-brasileira.
Dois sugeitos cômicos e trágicos (interpretados por Nicola Lama e Marcelo Aquino) que passam a vida entrando e saindo de clínicas de recuperação, resolvem autonomear-se Don Quixote e Sancho Pança e desbravar a cidade do Rio de Janeiro, e assim enfrentar todos os monstros e medos de toda uma vida.
Alessandra Vanucci revestiu a montagem de modo clownesco incorporando a platéia ao espetáculo: um truque ingênuo e as vezes massante. As cenas do espetáculo se alongam as vezes de forma demasiada, causando um descompasso entre a imagem e a palavra. Nicola Lama se destaca pelo trabalho corporal perfeitamente executado e Marcelo Aquino, através da pantomima, transmite a dimensão da fantasia desesperada pela e da falta da razão indicada pela sua personagem. A música de Paolo Vivaldi, composta para o espetáculo é forte e com dramticidade oportuna.
Enfim Náufragos é uma peça que alterna bons e maus moentos, mas que a vale a pena ser conferida pela integridade artística que se dispõe cenicamente.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Crítica - O Especulador

Um dos maiores autores de todos os tempos, Balzac escreveu 90 romances, que constituem A Comédia Humana, mas apenas um texto teatral, "Le faiseur", traduzido e adaptado por João Bethencourt, ora em cartaz no Teatro Sesi com o título "O especulador". Contando com direção de José Henrique, a peça chega à cena com elenco formado por Élcio Romar (Augusto Mercadet), Nedira Campos (Alice Mercadet), Brunella Provvidente (Julia Mercadet), Vinicius Brambilla (Minard), Mouhamed Harfouch (De La Brive), Bruno Ganen (Goulart), Marcio Ricciardi (Méricourt), Sérgio Fonta (Verdelin), Pietro Mário (Brédif), Ricardo Leite Lopes (Violette), Vitória Furtado (Teresa), Luciano Borges (Justino) e Rubens Araújo (Berchut).Ambientada em Paris, em 1839, a peça gira em torno de dois temas: as imensas dívidas do especulador Augusto Mercadet e seus desesperados esforços - jamais éticos - de quitá-las, e que vão desde a tentativa de casar a filha com um homem de posses até as mais desvairadas artimanhas para enganar credores e conseguir fundos. No entanto, mais do que apenas centrar sua trama no caso específico de um homem, na verdade Balzac faz uma divertida e feroz crítica aos valores burgueses, atacando com o mesmo furor dois de seus maiores predicados: a ganância e a hipocrisia. O numeroso elenco não tem grande destaqe indivudual e deixa uma sensação de que poderia ter explorado muito melhor as boas e divertidas marcas impostas pelo diretor. Alguns atores inclusive passam despercebidos em cena. Na equipe técnica, o acerto é geral - cenografia de José Henrique, figurinos de Lola Tolentino e iluminação de Rogério Wiltgen. Em suma a peça carece de um elenco mais afinado. É certo de que se poderia ter alcançado um melhor resultado.

Crítica - As Noivas de Nelson

A peça reúne 5 contos de A vida como ela é, coluna que Nelson manteve no jornal carioca Última Hora ao longo dos anos 50: Excesso de trabalho, Delicado, O sacrilégio, O pastelzinho e Feia demais. Todos envolvem as ideias de casamento e morte, refletidas nos fúnebres figurinos e cenário de Juliana Fernandes e na maquiagem de Edivaldo Zanotti, com todo o elenco caracterizado como defunto. Os dez atores se revezam entre dezenas de personagens, saindo-se, em geral, muito bem, tanto nos papéis importantes quanto nos que são meras figurações. Mesmo quando os atores encarnam “personagens” sem fala e com cerca de apenas um minuto em cena.
O ritmo do espetáculo, como um todo, é vertiginoso, mas a plateia nunca fica cansada. Braz, o diretor, soube explorar o que cada ator tem de melhor em potencial, alternando momentos em que todos se destacam ao mesmo tempo, com brilhos individuais em determinados momentos.
As Noivas de Nelson, da Cia. Paulista de Artes é um espetáculo engraçado e muito interessante, que vale a pena ser assitido por uma platéia atenta e que procure não perder nenhum momento.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Crítica - Festa de Família

Com direção de Bruce Gomlevsky e adaptação teatral de David Eldridge, a peça Festa de Família é uma transposição do filme homônimo do dinamarquês Thomas Vinterberg, um dos criadores do movimento chamado Dogma 95, que trouxe, em 1995, uma nova proposta estética à linguagem audiovisual.A trama acontece na festa de aniversário do patriarca de uma tradicional e rica família. Durante a comemoração, segredos familiares vêm à tona e surpreendem os convidados com revelações que mudarão para a sempre a vida dos presentes.
A direção de Bruce Gomlevsky mostra uma tentativa de transposição da linguagem cinematográfica para o teatro, o que não conseguiu. O conflito entre as linguagens é gitante no espetáculo, não conseguindo passar as duas etapas de ação do texto, deixando quase sempre a impressão de que as cenas não foram acabadas. Uma gritaria exacerbada, na busca de um ritmo também não conseguido, chega a ser irritante e demasiado estranho para a platéia. A cenografia de Bel Lobo é antiquada. Os figurinos de Flávio Souza não tem nada de Escandinávio. A direção musical de Marcelo Alonso Neves não consegue dar clima as cenas da peça. Salva-se na parte técnica da peça é eficiente iluminação de Maneco Quinderé. O elenco composto por Julia Carrera, Walney Costa, Otto Jr., Risa Landau, Teresa Foumier, Joelson Gusson, Peter Boos, Christovam Netto, Carolina Chalita, Ricardo Damasceno, Leonardo Corajo, Carlos Veiga e Júlia Limp Lima e Bruce Gomlevsky, não consegue uma individualização de seus personagens, talvez pelos corte abrubtos da encenação que inelizmente é muito insatisfatória.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Crítica - De Corpo Presente

Com direção e texto de Mara Carvallio, a comédia De Corpo Presente fala sobre a falta de comunicação nas relações humanas, principalmente com afetos perdidos ao longo da vida. O tempo da narrativa não é linear e a ação transita entre passado e presente.O enredo se passa em um velório, no qual familiares se reencontram. Ao relembrar fatos do passado e falar do presente, diferentes versões dos acontecimentos vêm à tona e antigos segredos e conflitos são revelados.
A direção não tem a pretenção de inovar em nada e muito menos marcar época no teatro, simplesmente conduz com naturalidade a trama e consegue bons momentos em algumas cenas. Talvez o espetáculo careça de um pouco mais de elaboração nas cenas, o que faria com que a peça ganhasse e muito. O elenco composto por Cristina Prochaska, Blota Filho, Mara Carvallio, Carlos Martin, Patricia Batitucci, Alexandra Martins, Murilo Salles e Mariana Bassoul está bem razoável na trama e se saem bem de certa forma. A parte cômica da peça fica a cargo de Mara Carvalho com sua argentina bem concebida sem os esteriótipos rídiculos que se costumam ver em determinados personagens gringos com seus sotaques ridículos. A iluminação de Maneco Quinderé é simples e funcional, o figurino de Patrícia Biaggioni e a trilha sonora de André Frateschi o são da mesma forma. Enfim uma montagem simples e razoável que vale a pena ser conferida.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Crítica - Estranho Casal


Com três temporadas na Broadway e 922 montagens internacionais, o espetáculo Estranho Casal chega ao Brasil com um elenco formado por oito atores, entre eles Carmo Dalla Vechia e Edson Fieschi. A montagem brasileira da premiada peça de Neil Simon possui tradução assinada pelo autor Gilberto Braga e direção de Celso Nunes. No palco, Felix, um jornalista obcecado por limpeza, é expulso de sua casa por sua esposa e passa a morar com seu amigo recém-divorciado, Oscar, um comentarista esportivo desleixado e bem sucedido. Eles imaginam que a convivência seria fácil e que poderiam seguir a vida de solteiro normalmente. Mas descobrem que seus temperamentos são completamente diferentes. Assim, o convívio desse estranho casal torna-se insuportável, pois, enquanto Oscar é um bagunceiro incorrigível, Felix é exatamente o oposto.
O diretor Celso Nunes armou a cena de maneira tradicional, como convém ao material disponível. O cenário de José Dias compõem bem a cena , uma iluminação muito boa de Paulo César Medeiros, figurinos adequados de Ney Madeira e completando a parte técnica bem executada, trilha sonora de Billy Forghiere é apropriada. Os destaques na interpretação do elenco ficam por conta de Bel Garcia e Susana Ribeiro que provocam risos na platéia com seus sotaques mutito interessantes. o rstante do elenco, Marcos Archer, Leonardo Netto, Marcelo Várzea e Rogério Freitas, não conseguem muito destaque em cena, mas mantêm um harmonioso conjunto; Edson Fieschi se ressente da uniformidade do seu personagem e Carmo Dalla Vecchia faz um malandro com agilidade física e verbal, mas seu personagem precisa ser um pouco mais trabalhado nas nuances que poderia ser mais bem aproveitadas. Uma montagem regular, mas que com alguns acertos pode-se tonar um bom trabalho teatral.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Crítica - Decameron

Adaptada da obra homônima do italiano Giovanni Boccaccio, a comédia Decameron - A Arte de Fornicar aborda de maneira irreverente os comportamentos humanos, as paixões, a infidelidade, a sedução e as trapaças sexuais. O clássico apresenta o cotidiano de pequenos comerciantes e artesãos, cujas esposas usam truques e espertezas para fazer conquistas amorosas, mas sempre tentando preservar a imagem da família. 
Com uma linguagem cômica e satírica, o texto ganha atualidade e traz divertidas histórias. No palco, o público se depara com freiras devassas que realizam "milagres" sexuais, uma esposa traiçoeira com habilidade para negócios, um fugitivo maroto que tenta trapacear, jovens amantes, um criado que perde a cabeça por amor, entre outros personagens.
A direção é de Otávio Müller, que se baliza pela tradição popular, mas em nenhum momento cai na tentação do popularesco, tão pouco na vulgaridade. O cenário de Vera Oliveira facilita a agilidade das cenas. A luz de paulo Denizot não acompanha ao rítimo intenso do espetáculo, além de estar sendo operada com muita insegurança, deixando que acontecesse vários erros em cena. O figurino de Cassio Brasil é muito bem cuidado. As músicas compostas por Zéu Brito se encaixam perfeitamente na alegria da montagem. A trilha sonora de Caíque Botkay da mesma forma. o espetáculo é estrelado por Fabiana Karla (que confere a seu personagem boa atuação, emprestando-o e servindo-o desejos ardentes), Marcos Oliveira (figura caricatural bem construída), Bel Kutner (está ótima em cena), George Sauma (muito a vontade em seu personagem), Zéu Britto (seu personagem está bem próximo da chanchada), Jô Santana, Claudia Borioni, Isabel Lobo e Hossen Minussi (todos desenvolvendo muito menos seus personagens). 

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Crítica - Isaurinha

Protagonizado pela atriz Rosamaria Murtinho, o musical Isaurinha - Samba, Jazz e Bossa Nova mistura teatro, show e cinema para mostrar a trajetória da rainha do rádio Isaurinha Garcia. A peça retrata vários momentos da carreira da cantora, desde sua descoberta nos programas de calouros até seu glorioso apogeu. 
Ao lado de 18 atores e bailarinos, Rosamaria Murtinho interpreta os grandes sucessos de Isaurinha que fizeram parte do período áureo do rádio brasileiro entre as décadas de 40 e 80. Idealizado e produzido pelo ator Rick Garcia, neto da cantora, o espetáculo apresenta uma personalidade passional, explosiva e frágil de uma artista guiada pelo amor e pelas grandes paixões. 
O primeiro e maior erro desta montagem (ou seria remontagem: Rosamaria viveu a personagem em 2003) é querer aqpresentar um musical (afinal é a moda do momento) e não uma biografia, como manda o texto original. Por querer um musical foi contratado para a direção do espetáculo um Coreógrafo, Sylvio Lemgruber, e o que se vê é um excesso de atenção para a dança, com bailarinos entrando a todo o momento para executarem coreogrsfias sem o menor porque, enquanto texto e ainterpretação dos atores fica em segundo plano e muito precários.
A inserção de alguns vídeos com efeitos visuais, não têm qualquer ligação com a ação cênica, servindo apenas de pano de fundo para os bailarinos, que há de se ressaltar, utilizando figurinos que não possuem qualquer "brasilidade", parecendo mais de musicais americanos de décadas passadas.
Salva-se no espetáculo a interpretação de Rosamaria Murtinho (apesar de ser também prejudicada em alguns momentos por seus interlocutores. O elenco é todo fraquíssimo.) e a música, que leva a direção musical de João Paulo Mendonça.
Isaurinha Garcia, a gloriosa, merecia uma montagem com um acabamento muito mais sofisticado e glamouroso, que a montagem em questão.

Crítica - É a Mãe

Com texto de Ana Velloso e Vera Novello, a comédia É a Mãe apresenta situações comuns a todas as mães. No palco, 20 personagens mostram o cotidiano de diversos tipos de mulheres que têm que administrar as várias funções da vida. 
Entre as mães e filhas que aparecem na peça estão as personagens dos contos de fada e a Virgem Maria. Branca de Neve e Cinderela, por exemplo, mostram como é difícil ser criada por madrastas detestáveis, enquanto a Chapeuzinho Vermelho aparece como a filha que teve que cuidar da própria mãe. 
O espetáculo também aborda os clássicos tipos de mães, como a judia controladora, a popular sogra nordestina e a executiva bem sucedida. O público também participa da comédia em um programa de treinamento para futuras mamães.

A intenção do texto é fazer rir pelas questões já conhecidas do cotidiano, e isso faz com que que o texto não esteja muito bem elaborado. A maioria das esquetes são muito longas e não atingem o ritmo necessário, tornando-se bastante cansativas. Muitas mudanças desnecessárias de figurinos e adereços de cena, quebram em vários momentos a fluência do espetáculo.
O que deve ser enfatizado é que é na interpretação do elenco que a diretora Ana Velloso consegue melhor êxito, possibilitando que cada uma das atrizes (Ana Paula Botelho, Ana Velloso, Stella Maria Rodrigues e a própria Vera Novello) explorem as características que têm de melhor: a vocação para o homor.